Amazon Prime Video | Release Date (Streaming): April 21, 2023
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alanpotter17May 1, 2023
Acho extremamente criativo como alguns documentários usam de artifícios visuais para cuasar a imersão necessária, e aqui, como Judy Blume fora ilustradora de livros infantis no início da carreira, tudo soou relacionado demais ao aspectoAcho extremamente criativo como alguns documentários usam de artifícios visuais para cuasar a imersão necessária, e aqui, como Judy Blume fora ilustradora de livros infantis no início da carreira, tudo soou relacionado demais ao aspecto profissional da homenageada.
Por falar em homenageada, este sim é um ponto quase que obrigatório em documentários biográficos, e isso infelizmente diminui o impacto do filme. Tanto que praticamente metade do documentário (ou até mais) é a própria Jude falando, sobre seu ponto de vista, é como se fosse uma entrevista mesmo.
Ainda bem que a edição e o roteiro mesclam as falas dela com os acontecimentos políticos da revolução cultural, das ondas do feminismo e movimento hippie, dando maior importância a uma das escritoras juvenis mais lidas dos EUA, que tivera alguns livros censurados, em especial no governo Reagan e, pasmem, atualmente!
Inclusive o livro que a lançou à fama, "Are you there, God? It’s me, Margaret", ganhou uma adaptação às telas este ano, o que não descarta a possibilidade de esse ser mais um filme promocional mesmo, um merchand em forma de cinema, descarado.
Mas como dito, a sorte é que não é mera pastelaria. Há aqui muitos elementos históricos importantes, a começar que outros depoentes também se revelam escritores censurados. Judy, ao falar sobre sexualidade a um público menor de 18, e ao sofrer preconceito pelo tipo de literatura que desenvolvia (inclusive recebendo questionamentos se era realmente literatura o que desenvolvia), sente não só as consequências do machismo estrutural mas também o moralismo geral que cerca os temas tabus da sexualidade.
Os dispositivos de poder sobre os biocorpos nunca esteve tão presente, Foucault é muito mais atual quanto se imagina. A onda conservadora do século XXI que atingiu o globo fez retornamos à moralidade dos livros que devem ser proibidos, e é muita coincidência que assisti a esse filme na semana em que, no Brasil, se censurou uma leitura de vestibular de um escritor brasileiro, do livro "Eu receberia a pior notícia dos seus tristes lábios", por supostamente ter passagens pornográficas.
Uma fala me pegou em cheio. Determinado autor que teve suas obras censuradas foi bem direto: basta ver o rol das listas proibidas para percebemos quais os problemas sociais contemporânos.
Judy Blume, embora tenha uma escrita convencional na forma, no conteúdo ainda rende e ainda causa polêmicas e discussões, em temas que mereciam ser tratados com muito carinho e com um grau de maturidade muito maior do que temos atualmente. Ao sofrer ameaças de morte por deturpar costumes, o filme acerta sempre quando a insere num contexto muito maior, ainda que deixe a desejar nos contrapontos, que são todos bem chapa branca.
Mesmo assim é um filme necessário para pensar sobre o papel da arte, sobre as perspectivas de mudanças culturais e sociais que, se não são provocados pela arte, ao menos são catalisados por ela, numa simbiose difícil de delimitar, mas sem a qual não conseguiríamos viver sem.
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