Music Box Films | Release Date: February 3, 2023
7.1
USER SCORE
Generally favorable reviews based on 7 Ratings
USER RATING DISTRIBUTION
Positive:
6
Mixed:
0
Negative:
1
Watch Now
Stream On
Stream On
Stream On
Review this movie
VOTE NOW
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Check box if your review contains spoilers 0 characters (5000 max)
8
chemicalEApr 10, 2023
Saying the performance of the cast was great would be an understatement. You don't feel disenchanted at any point of time. The music is so damn engrossing, drags you right into the movie and doesn't let you loose from its grip for even aSaying the performance of the cast was great would be an understatement. You don't feel disenchanted at any point of time. The music is so damn engrossing, drags you right into the movie and doesn't let you loose from its grip for even a second. The whole screen is meant for the viewer to see. I honestly kept dreading the end. Expand
0 of 0 users found this helpful00
All this user's reviews
9
alanpotter17Apr 16, 2023
Antes de dar o play, é preciso respirar bem fundo para encher o pulmão de ar, e assim aguentar a correria solta. Esqueça aquela velha definição de filme francês como filme parado onde nada acontece. Vamos acompanhar durante uma semana aAntes de dar o play, é preciso respirar bem fundo para encher o pulmão de ar, e assim aguentar a correria solta. Esqueça aquela velha definição de filme francês como filme parado onde nada acontece. Vamos acompanhar durante uma semana a (literalmente) correria de uma mãe solo que se desdobra entre uma cidade longínqua e Paris, para dar conta de sustentar seus dois filhos deixados com a vizinha.
Nos últimos anos, o cinema francês tornou-se uma espécie de vitrine para falar sobre o mundo do trabalho, seja ele para nativos ou para refugiados. Aliás, a Europa em si, fruto dos avanços das contradições do capital. Aqui há uma carga imensa pelo fato da protagonista ser mãe e mulher, mas também por trabalhar em uma área que está longe de condizer com sua formação: lá pelas tantas descobrimos que a protagonista possui Mestrado em economia, é meio chocante vela como serviçal em um hotel de luxo, tendo que, literalmente, limpar fezes de artistas.
Mas o filme não é apenas sobre a proletarização e condições de trabalho. Em meio ao caos urbano de uma metrópole internacional, pipocam protestos e reivindicações estudantis que afetam o cotidiano do transporte pública. Para Julie, interpretada visceralmente por Laure Calamy, resta-lhe os atropelos causados pelo protesto, como a dificuldade no transporte público, os ônibus e os metrôs tendo o cronograma alterado pelo efeito das ruas, "atrapalhando o tráfego", como diria Chico Buarque.
Num mundo onde o tempo do relógio comanda nossas vidas, não há tempo para consciência de classe quando o filho reclama não ter um lanche sequer. Pode-se trabalhar em Paris, assim como "Medianeras" deu conta de falar sobre uma Buenos Aires lotada de solidão, e ainda assim sentir-se sozinha e perdida.
O filme também tem espaço para discutir o abandono parental, num pai que sequer vemos a cara, que sequer ligou para o filho no dia do aniversário dele, que Julien conseguiu a proeza de ainda organizar, mostrando que a mulher multitarefa é uma imposição social das mais perversas.
Quando ela finalmente dorme mais do que o necessário no domingo (para os padrões do capitalismo ocidental), nós, meros telespectadores do casos, dormimos junto com ela, e sabemos que em breve sua semana recomeçará com a correria, as incertezas e a exploração de sempre.
Os filhos reclamam tempo, ela reclamada o tempo, a vizinha reclama o tempo. Não há espaços para contemplação, para vazios, para o lazer. É o capital sugando nossas famílias, fazendo com que ela distribua currículos sem mencionar o mestrado. É o capital apagando nossas subjetividades para nos fazer encaixar ao sistema.
A cena final, quando ela recebe uma ligação no parque, não é arrebatadora, e sim cruel. É a perpetuação de um ciclo sobre o capitalismo que "deu certo", sobre a engrenagem que continua a rodar. Ela fora avisada que, no próximo emprego, haverá de trabalhar muito. Haverá de trabalhar num cargo inferior. Mas pouco importa. E exploração e seu fio condutor continua intacta. Nada mudou nem haverá de mudar, pelo menos a curto prazo. Os protestos das ruas, inócuos, talvez podem baixar a guarda para pelo menos o trânsito e a mobilidade urbana fluírem melhor. A alienação, então, parece ser a única via possível para não surtar, ou ao menos para sobreviver de forma mais efetiva. E olha que estamos falando aqui de Paris, a cidade luz.
Filme angustiante, necessário, urgente. E é muita sorte assistí-lo tendo tempo de descanso, consumir arte, consumir cinema. É o filme síntese do "sem tempo, irmão", com várias chibatadas nas costas, especialmente na consciência.
Expand
0 of 0 users found this helpful00
All this user's reviews